Explore the latest books of this year!
Bookbot

A Varanda do Frangipani

Authors

Book rating

Parameters

  • 154 pages
  • 6 hours of reading

More about the book

“Nessa manhã, eu saí do corpo de Izidine Naíta. Restreava assim minha própria matéria no mundo, fantasma visível só pela frente. A luz imensa me invadiu assim que me desencorpei do polícia. Primeiro, tudo cintilou em milibrilhos. A claridade, aos poucos, se educou. Olhei o mundo, tudo em volta se inaugurava. E murmurei, com a voz já encharcada: – É a terra, a minha terra! Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar no mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume. Depois divaguei na varanda, com o oceano a namorar-me o olhar. Lembrei as palavras do pangolim: – Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita.”

Book purchase

A Varanda do Frangipani, Mia Couto

Language
Released
1995
product-detail.submit-box.info.binding
(Paperback)
We’ll email you as soon as we track it down.

Payment methods

3.9
Very Good
31 Ratings

We’re missing your review here.

Title
A Varanda do Frangipani
Language
Portuguese
Authors
Mia Couto
Publisher
Import
Released
1995
Format
Paperback
Pages
154
ISBN10
9722110500
ISBN13
9789722110501
Series
Original title
A varanda do frangipani
Rating
3.85 out of 5
Description
“Nessa manhã, eu saí do corpo de Izidine Naíta. Restreava assim minha própria matéria no mundo, fantasma visível só pela frente. A luz imensa me invadiu assim que me desencorpei do polícia. Primeiro, tudo cintilou em milibrilhos. A claridade, aos poucos, se educou. Olhei o mundo, tudo em volta se inaugurava. E murmurei, com a voz já encharcada: – É a terra, a minha terra! Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar no mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume. Depois divaguei na varanda, com o oceano a namorar-me o olhar. Lembrei as palavras do pangolim: – Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita.”